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Em seu aniversário de dezoito anos, Lydia descobre que está destinada a se casar com o rei Gabriel de Imarnia, e sua vida inteira vira de cabeça para baixo. Usando seus raros poderes de fogo e anos de treinamento, Lydia tenta resistir ao destino a todo momento.

Mas o rei Gabriel tem outros planos…

Classificação etária: 18 +

Autor Original: Suri Sabri

 

A Chama nos Une por Suri Sabri está agora disponível para leitura no aplicativo Galatea! Leia os dois primeiros capítulos abaixo, ou faça o download do Galatea para obter a experiência completa.

 


 

O aplicativo recebeu reconhecimento da BBC, Forbes e The Guardian por ser o aplicativo mais quente para novos romances explosivos.

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1

LUCIUS VOLTAIRE,

Você foi convocado para a Montanha Vidente pelas Vigilantes do Destino.

Apresse-se e não conte a ninguém sobre esta carta.

O futuro de toda Ignolia depende disso.

Aguardamos sua chegada…

-SEVERINA

LUCIUS

Nenhum ser mortal jamais pisou dentro da caverna antiga e sobreviveu para contar a história. Felizmente para Lucius, ele não era um mero mortal.

O velho feiticeiro entrou mais fundo na escuridão, arrastando os dedos enluvados ao longo das paredes rochosas, examinando os desenhos a carvão que descreviam a história de seu mundo.

Imagens de reis e rainhas, magos e lobisomens…

Ele reconheceu uma das figuras, ele pensou. Uma pequena mancha negra heroica enfrentando o que parecia ser… um dragão.

Lucius reprimiu uma expiração forçada, pegando seu cantil e tomando um longo gole. Fazia muitos anos desde que Lucius era aquele feiticeiro. Ele só estava aqui agora porque as Vigilantes do Destino exigiram sua presença.

As três poderosas irmãs bruxas não eram brincadeira. Ninguém tinha vindo para esta montanha em séculos. E o motivo dessa carta, desse convite… intrigava Lucius.

Há décadas que ele não fazia magia. O que elas poderiam querer com um velho bêbado como ele?

O caminho escuro torceu e girou até que, finalmente, Lucius viu: uma abertura em uma grande caverna, iluminada por estranhas estalactites brilhantes acima.

Era uma sala do trono, Lucius percebeu. Sentadas em três tronos de mármore idênticos, estavam três mulheres idênticas.

As irmãs sagradas.

As bruxas videntes.

As Vigilantes do Destino.

“Lucius, bem-vindo…”

A do meio, que ele imaginou ser Severina, levantou-se lentamente. Ela tinha cabelos brancos e sedosos que chegavam aos joelhos. Sua pele era da cor de mel escuro e seus lábios um tom ainda mais escuro. Suas vestes prateadas abraçavam seu corpo esguio e etéreo.

Embora ela fosse idêntica às irmãs, havia uma autoridade em seu tom que dizia a Lucius que ela estava no comando.

“Já faz muito tempo que não te vemos…” Severina disse.

Eles nunca se conheceram, é claro, mas as Vigilantes do Destino podiam ver qualquer pessoa em qualquer lugar do reino. No presente, no passado ou no futuro.

Lucius sorriu com uma careta. “Eu tenho estado ocupado.”

Ele percebeu então porque estava apertando os olhos. A bruxa da direita estava segurando um orbe branco brilhante cheio de energia incandescente.

Era a única fonte de luz na caverna. Era magnífico e assustador ao mesmo tempo, como se o menor movimento pudesse fazer com que explodisse.

Severina continuou: “Minhas irmãs e eu temos algo urgente para compartilhar com você”.

“Se for uma missão,” Lucius disse, balançando a cabeça, “você sabe, existem outros feiticeiros mais jovens , mais adequados—”

“Esta ordem não vem de nós, Lucius,” Severina o interrompeu.

“Mas dos Deuses…”

Com isso, Lucius ficou mortalmente em silêncio. A vontade dos Deuses nunca deveria ser questionada. Ainda assim, Lucius achou que isso não soava bem. A última vez que os Deuses interferiram nos assuntos mortais, o resultado foi uma guerra de um século.

Uma guerra em que Lucius havia perdido muito.

“O que os Deuses poderiam querer de mim?” ele perguntou.

Severina se virou para sua irmã segurando o orbe e assentiu. De repente, as bruxas fecharam os olhos, murmuraram em uníssono e o orbe se ergueu no ar…

Lucius sentiu os pelos de seus braços se arrepiarem. Nunca em sua vida ele sentiu uma magia tão poderosa como esta.

A esfera começou a tremer descontroladamente no ar, ficando cada vez mais brilhante, como se estivesse prestes a explodir. Lucius ergueu a mão para proteger os olhos.

Finalmente, o orbe flutuou para descansar em um altar de pedra e, com um estalo ensurdecedor, se abriu, deixando apenas uma substância derretida branca…

“Contemple, Lucius”, Severina sussurrou. “Sua missão.”

Dentro da substância leitosa escorrendo do altar, havia uma pequena forma cor de rosa. E agora um estranho som ecoava nas paredes da antiga caverna.

O som do choro de um bebê.

Lá, deitado na superfície dura, nascido do próprio orbe, estava uma criança. Lucius não podia acreditar em seus olhos quando deu um passo trêmulo em direção a ela.

“Por que…?” ele gaguejou. “Quem…?”

“Ela não é uma criança comum, Lucius”, disse Severina. “Ela é uma Slifer.”

Essa era a última palavra que Lucius esperava ouvir. Uma Slifer ?! Eles eram apenas mitos, ele pensou. Feiticeiros que podiam controlar um dos quatro elementos da natureza.

Esse poder elemental era algo que só os Deuses podiam fazer…

“O que você espera que eu faça com ela?” ele perguntou.

A última vez que ele viu uma criança, terminou com um coração partido. Ouvir o som dos gritos desta, ver seu corpinho inocente… o perturbava profundamente.

“Segure-a, Lucius,” Severina exigiu.

Ele relutantemente pegou a criança e olhou para ela.

“Você vai protegê-la. Cuide dela. Por dezoito anos. Até o dia fatídico em que seu destino se entrelaça com o do Rei.”

Então por isso ela era tão importante. Lucius balançou a cabeça. Ele não poderia criar uma criança. O que essas bruxas e os Deuses estavam pensando?!

“Eu sei que isso deve ser difícil para você”, Severina disse conscientemente. “Mas você deve fazer isso, Lucius. Por Ignolia. Pelo seu povo.”

Lucius olhou mais uma vez para a criança. Ele prometeu a si mesmo naquele momento que faria o que os Deuses exigissem, mas ele não criaria laços.

Ela seria sua aprendiz, nada mais.

Ele a chamaria de… Lydia, pois parecia um nome totalmente comum. E para uma criança com destino como esse, a aparência de normalidade seria o mais importante.

“Você vê o que ela é, Lucius?” Severina perguntou. “Seu verdadeiro poder?”

O bebê olhou para ele com grandes olhos inocentes. Eles eram da cor de chamas, uma mistura de dourado, vermelho e laranja. As sombras de fogo giravam e dançavam quase como chamas reais, brilhando de forma não natural.

“Fogo,” Lucius sussurrou. “Ela vai queimar o mundo se eu não tomar cuidado.”

“Isso mesmo”, Severina disse, acenando com a cabeça solenemente. “Você controla o destino do nosso mundo, Lucius. A filha das chamas.”

DEZOITO ANOS DEPOIS…

LYDIA

“Concentre seus sentidos, Lydia! Mire com precisão!”

Embora pudesse ouvir a voz distante de um homem, Lydia só viu escuridão. Nada. E no vazio, um longo e fino poste de madeira começou a tomar forma.

Seu alvo.

“Você não deve ficar tensa! A magia só funcionará se estiver calma…”

Ela fechou os dedos em um punho, tentando abafar seu conselho de bêbado. Suas calúnias estavam apenas deixando-a mais furiosa.

Mas…

Talvez isso ajudasse.

Lydia já podia sentir o vapor quente deslizando entre seus dedos.

Um estalo e um som crepitante se seguiram. Lydia não precisou abrir os olhos para reconhecer o fogo laranja envolvendo seu punho inteiro.

Estava funcionando. Ela poderia fazer isso!

“Não hesite! Liberte o seu poder, Lydia! AGORA!”

Droga, velho! Ela não estava hesitante até ele mencionar o fato. Agora, enquanto ela arremessava a bola de fogo pelo ar, ela abriu os olhos e…

A bola de chamas voou logo depois do poste de madeira, chamuscando o material, mas mal o queimou. O fogo explodiu no ar com um chiado esvaziado.

Enfurecida, Lydia se virou para repreender seu guardião, mas ele nem estava prestando atenção. Deitado na grama sob uma árvore estava o outrora grande feiticeiro Lucius Voltaire.

Guardião de Lydia e única família.

Lucius estava virando o que restava de uma garrafa barata de rum élfico, com o pescoço esticado para trás, alheio.

“Sério?!” ela perguntou, cruzando os braços com um olhar feroz.

Com isso, ele se virou para considerá-la, com os olhos turvos. “Você não está praticando o suficiente, criança. O que posso dizer?”

Lydia detestava quando ele a chamava de criança. Era tão condescendente.

“Talvez se você realmente me treinasse em vez de beber o tempo todo…”

“Desculpas e mais desculpas”, disse ele, acenando com a mão e tomando outro gole.

“Bem, vovô—”

Seus olhos cor de jade brilharam com intensidade súbita e sóbria. “Eu já disse para não me chamar assim!”

Lydia sorriu. Esta era a única maneira que ela sabia de irritá-lo. “Qual é o problema? Você tem novecentos e dezoito anos mesmo!”

A verdade é que, embora ele a tivesse criado, ele sempre instruiu Lydia a chamá-lo de Lucius. Por quê? Ele nunca diria. Mas todos os anos, por volta de outubro—no aniversário de Lydia, exatamente—ele ficava muito mais bêbado do que o normal.

Como hoje.

Aniversário de dezoito anos de Lydia.

“Se você me perguntar, você foi ótima, Lydia.”

Lydia olhou para baixo e viu Lux se enrolando em seu pé. Ele era um gato preto com olhos amarelos penetrantes e um lado sociável. Afinal, o felino podia falar.

“Obrigada, Lux” Lydia disse com um suspiro. “Mas você também acha que peixe combina perfeitamente bem com bolo.”

Ele pulou nos braços de Lydia e se aninhou contra ela enquanto ela coçava atrás de suas orelhas. Lux era seu melhor amigo desde os cinco anos de idade. Ela o encontrou em um beco atrás de uma loja de poções.

Lydia presumiu que Lux devia ter tomado um gole de algo mágico para lhe dar o poder da fala. Mas ela nunca perguntou a ele.

“Então, o que vamos fazer no seu aniversário?” ele ronronou afetuosamente.

“Boa pergunta, Lux,” Lydia disse, virando-se para Lucius. “Alguma ideia, vovô?”

Mas ela ficou surpresa com a expressão atormentada no rosto do velho feiticeiro. Parecia que ele estava escondendo algo profundamente doloroso.

“Vá se arrumar para a escola,” ele murmurou.

Em seguida, ele se levantou e deixou Lydia e seu gato sozinhos no quintal. Ela acariciou a cabeça de Lux.

“Tudo bem, Lux. Nós vamos encontrar algo.”

“Você tem dezoito anos! É algo importante.”

Lydia assentiu. Talvez . Mas por que isso era tão importante para Lucius?

***

A casa deles ficava no topo de uma colina em uma cidade chamada Vera, nos arredores do reino de Imarnian. Da janela do quarto de Lydia, ela podia ver as torres do palácio distante.

O palácio onde o rei, Gabriel James Imarnia, vivia e governava.

O homem mais bonito do mundo.

Ou era o que diziam.

A verdade era que Lydia sabia muito pouco sobre o rei. Mas ela sempre foi curiosa. Aparentemente, ele tinha trezentos e trinta e nove anos, mas por causa de sua magia de feiticeiro, parecia não ter mais de vinte e oito.

E ele nunca se casou por algum motivo. Então, ele ainda estava sem uma Rainha.

Às vezes, Lydia encontrava cartas seladas entre o rei e Lucius e se perguntava sobre o que poderiam ser relacionadas. Lucius não praticava magia há anos, exceto para treiná-la como usar seus poderes de Slifer.

Então, o que era?

Ela se vestiu, colocando seu horrível uniforme escolar—um avental cinza sem graça, com uma camisa de manga curta branca e uma gravata borboleta vermelha e cinza ainda mais feia—e tentou adicionar um pouco de glamour usando o máximo de pulseiras possível.

Mesmo que ela tivesse que usar a mesma roupa que todos os outros na escola, todos sabiam que ela era diferente.

Da pele cor de oliva aos cabelos, com mechas vermelhas e pretas intensas, Lydia sempre se destacou.

Seus olhos, acesos com fogo, diziam a todos na cidade que ela era uma Slifer, quer ela quisesse que eles soubessem ou não. Pelo menos a marca em seu pulso, dois S’s brilhantes entrelaçados, ela poderia esconder com a manga ou acessórios.

Contudo, principalmente, as pessoas olhavam para ela de forma estranha por causa do bruxo bêbado que por acaso era seu guardião. Lucius havia feito com que ela prometesse preservar a sua virgindade.

Por quê? Sinceramente, depois de todos esses anos, Lydia se cansou até de perguntar. Mas ela obedeceu com a esperança de um dia entender.

Quando finalmente ficou pronta, Lydia desceu correndo as escadas com Lux correndo atrás dela.

“Certo, estamos prontos!”

“Bom,” Lucius resmungou, estendendo a mão. “Estou com pressa. Então…”

Lydia conhecia o procedimento. Quando Lucius não estava a fim de viajar a pé, ele os teletransportava para onde precisassem ir. Ela pegou a mão dele e abriu a bolsa para que Lux pudesse entrar.

“Vamos”, disse ela.

Com um redemoinho repentino, o mundo girou ao redor deles e eles foram transportados.

Lydia piscou, ajustando-se ao novo ambiente, então franziu a testa.

“Vovô…” ela disse, confusa. “Onde…?”

“Eu disse para você não me chamar assim,” ele disse, com firmeza.

Ele dobrou uma esquina e Lydia o seguiu rapidamente, chocada ao ver os enormes portões do palácio Imarnian diante deles. O que eles estavam fazendo aqui?

“Talvez seja uma surpresa!” Lux ronronou da bolsa de Lydia. “Para o seu aniversário!”

“Lucius”, disse ela, usando o nome que ele preferia. “Você vai me dizer o que está acontecendo?”

Lucius se virou e suspirou, com os olhos voltados para baixo. “Há algo que preciso lhe contar, Lydia. Algo que eu deveria ter contado a você anos atrás…”

Agora, Lydia sentiu seu estômago apertar em um nó. O que quer que estivesse por vir não era bom. Até aí, ela sabia.

“O que, Lucius?” ela perguntou em um sussurro.

Ele se virou para considerar o palácio. “Anos atrás, três bruxas poderosas me disseram que esse dia chegaria. O dia em que o seu destino e o do rei se entrelaçariam. No seu aniversário de dezoito anos.”

“Entrelaçariam?” Lydia perguntou, sentindo sua mente girar. “O que isso significa?”

Ele se virou para observá-la, com seus olhos verdes cheios de emoção descuidada.

“Lydia, hoje… você será reivindicada pelo rei.”

 

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2

GABRIEL

Em algum lugar lá fora, entre os habitantes de seu reino em expansão, estava a garota que Gabriel deveria reivindicar. Ele tinha sido rei por mais de três séculos, e ainda de alguma forma, ele nunca a encontrou.

Até agora.

Hoje, Gabriel finalmente encontraria a Slifer. Então, por que ele não estava feliz?

“Gabriel, você está bem?”

Gabriel se virou para ver seu segundo em comando e melhor amigo, Aero, ao lado dele. Ele suspirou, balançando a cabeça, sabendo que tinha sido pego em flagrante. Ele estava no topo da muralha mais alta de seu reino, com um olhar melancólico que Aero conhecia bem.

“Tudo bem, Aero”, disse ele. “Eu só precisava espairecer.”

“Você está pensando nela de novo, não está?” Aero perguntou. “A garota?”

“Como não pensar, Aero? Hoje é o aniversário de dezoito anos dela.”

As Vigilantes do Destino haviam avisado Gabriel anos atrás que esse dia chegaria. Embora ele não tivesse ideia de quem ela era, as palavras de Severina continuavam a assombrá-lo.

“A garota está destinada a protegê-lo. A salvar você… e seu reino.”

Ele balançou a cabeça, enojado. Desde quando Gabriel precisava de proteção? Ele era um dos feiticeiros mais poderosos de toda a Ignolia! Que poder uma adolescente poderia ter que pudesse salvá-lo?

O que tornava essa garota tão especial?

“Você está com aquele olhar, Gabriel,” Aero avisou. “O olhar sombrio.”

Gabriel riu amargamente. “Engraçado, não é? Eu governo um reino tão brilhante e lindo que cega aos olhos. E mesmo assim, meu coração e minha magia… estão repletos de escuridão.”

Aero estremeceu. Ele tinha visto Gabriel conjurar sombras antes. Ele sabia do que seu rei era capaz… e que perigos essas sombras representavam para sua alma.

“Venha, Gabriel,” Aero disse finalmente, quebrando o silêncio agourento que caiu sobre eles. “Sua irmã tem perguntado por você. Ela se reunirá com as massas hoje em preparação para a cerimônia e sugere quevocê participe.”

“Sugere, hein?” Gabriel disse com um suspiro. “Exatamente o que eu preciso.”

Mas Aero cutucou suas costelas com uma piscadela e um sorriso malicioso. “Nós dois sabemos quem realmente governa o reino, Gabriel. Melhor se apressar.”

Gabriel riu sem conseguir se conter. “Lis não aceita não como resposta, isso é verdade. Mas tome cuidado, Aero.”

“Aí está o Rei que eu conheço.”

Gabriel gostava de Aero por seu humor. Por mais sombrio que o dia parecesse, seu mestre das armas sempre conseguia trazer um sorriso ao seu rosto.

“Tudo bem, tudo bem”, disse ele, seguindo Aero. “Vamos ver Lis.”

Já fazia um tempo que Gabriel não aparecia para o seu povo. Talvez estar no solo em vez de no alto de sua torre de marfim fosse exatamente o que ele precisava.

De qualquer forma, se ele estivesse fora do palácio, ele não teria que encontrar a garota Slifer.

Para isso, o rei estava disposto a ir a qualquer lugar.

LYDIA

“Eu vou… eu vou, O QUÊ?!”

Lydia ainda não conseguia acreditar no que Lucius acabara de lhe dizer. Do lado de fora dos portões do palácio, ela olhou para seu guardião incrédula.

Eu?

Ser reivindicada pelo Rei?!

Certamente, Lucius estava brincando. Mas seus olhos de jade entristecidos, postura curvada e mão trêmula alcançando seu cantil diziam o contrário.

“Lamento nunca ter contado a você, Lydia” disse ele solenemente. “Eu temia que, se você soubesse, o segredo acabaria sendo revelado e…”

“E o quê?”

“E você estaria em perigo! Você mal consegue fazer uma bola de fogo, muito menos se defender. Eu precisava treinar você primeiro.”

Lucius deu um gole em seu rum. Lydia, completamente indignada e chocada com essa revelação, jogou o cantil de sua mão no chão de paralelepípedos.

“Eu não consigo acreditar em você!” ela gritou. “Todos esses anos, você guardou esse segredo, e… e…”

Lydia não tinha palavras. Sua boca estava subitamente seca. O ar, impossível de respirar. Parecia que o mundo, como ela sempre soube, estava desabando ao seu redor.

“Não é minha vontade, Lydia,” Lucius tentou explicar. “Os Deuses exigem isso. Somente quando vocês dois estiverem unidos, o reino estará seguro.”

“Tudo faz sentido”, disse ela, recuando e balançando a cabeça. “Suas regras ridículas. Seu treinamento. Você estava… me engordando como uma vaca para o abate.”

“Não é desse jeito—”

“Preservando minha virgindade para que o Rei a pudesse tirar?! Ensinando-me a usar meus poderes para benefício dele ?!”

“Isso é tão errado?”

Tudo o que Lydia sempre quis foi ser uma grande e poderosa feiticeira um dia. Como Lucius já foi, de acordo com a lenda. Agora, ela deveria ser reivindicada. Uma mulher presa. Um peão em algum jogo de xadrez sendo controlado por forças além de sua imaginação.

Era demais.

“Lydia, por favor”, disse ele. “Eu não fiz isso para machucar você. Você… você é como uma família para mim.”

A palavra “família” forçou Lucius a fazer uma careta involuntariamente. Por que ele sempre manteve essa distância entre eles, por que ele sempre odiou que ela o chamasse de vovô, Lydia nunca entendeu. Mas agora, tudo fazia sentido.

Porque, um dia, Lucius sabia que teria que abandoná-la.

Lydia sentiu Lux tremendo em sua bolsa, o pobre gato estava preso no meio do confronto mais estranho de todos os tempos.

“Lydia…” ela o ouviu miar baixinho. “O que tudo isso significa?”

Ela não sabia o que dizer. Por tudo que ela sabia, entrar naquele palácio significaria o fim de sua amizade com Lux. Que tipo de rei permitiria que um gato falante se sentasse à mesa?

Ela se afastou ainda mais de Lucius, e seus olhos se arregalaram.

“Lydia, não…” disse ele, estendendo a mão para ela. “Você não deve ir embora. Este é o seu destino!”

Mas Lydia não iria ouvir mais uma palavra da boca mentirosa do velho feiticeiro.

“Você não me controla mais, Lucius”, disse ela.

E com isso, Lydia se virou e fugiu do palácio, disparando para as ruas movimentadas de Imarnia, enquanto a voz de Lucius a chamava.

“Lydia… LYDIA!”

***

Lydia vagou pelo antigo bairro histórico da cidade quase sem enxergar nada, seus olhos estavam embaçados de lágrimas. Lux rastejou para fora da bolsa e se enrolou em seu pescoço, ronronando baixinho, tentando confortá-la.

Embora isso atraísse alguns olhares estranhos das pessoas, Lydia não se importava. Ela estava grata por ter seu amigo peludo.

De qualquer forma, ela estava acostumada a receber olhares estranhos. Seus olhos de fogo eram a coisa mais distante do normal. O custo de ser uma Slifer do Fogo.

Ela pensou novamente em Lucius e em todos os segredos que ele escondeu dela. A ideia de que ela, entre todas as pessoas, estava destinada a proteger o Rei de Imarnia… era demais para processar.

Ela sentiu que ia começar a chorar de novo quando Lux esfregou o nariz em sua bochecha.

“Lydia, olhe ao seu redor…” ele disse com admiração. “Este lugar é incrível.”

Lux estava certo. Lydia nunca se aventurou tão longe de sua pequena cidade. Ver a capital em toda a sua glória foi quase o suficiente para afastar sua mente de todo o drama do dia. Quase.

“O que… o que é isso?” Lydia perguntou, apontando.

Uma carruagem grande e luxuosa passava por eles, conduzida pelos animais mais estranhos que Lydia já vira. Eles eram como cavalos, mas brancos, com listras azuis grossas.

Ao vê-los, os olhos de Lux se arregalaram e, por instinto, ele correu de volta para a bolsa.

“Não tenha medo, Lux”, disse Lydia, rindo. “Eles não mordem.”

Ela se lembrava de seus nomes agora. Moxars . Ela aprendeu sobre eles na escola primária. As crianças brincavam nas proximidades e os compradores entravam e saíam das lojas com os braços cheios de sacolas e compras.

Tudo sobre esta cidade parecia vivo.

Lydia sentou-se ao lado de uma fonte esculpida em pedra e admirou sua beleza. Riachos de água saíam da boca de uma fênix prateada. Lydia se lembrou do que ela aprendeu uma vez… que quando Imarnia foi fundada, o Deus Azareth concedeu ao rei uma fênix assim.

Lydia se perguntou se isso era mera lenda ou se havia alguma verdade nisso. Afinal, era assim que as pessoas uma vez falaram sobre Slifers.

Como se fossem pura fantasia. Coisas de contos de fadas.

Mas aqui estava Lydia, cuja existência provava que eles estavam errados.

“Lux,” ela disse. “Você acha que—?”

Mas ela não conseguiu terminar aquela frase porque, de repente, a beleza e a calma do bairro histórico de Imarnia foram interrompidas por um grito estridente.

“PARE! LADRÃO!”

GABRIEL

“Tudo o que estou dizendo, irmão, é que essa garota ao seu lado pode ser boa para você.”

Foi preciso toda a força de vontade de Gabriel para não revirar os olhos. Lis, sua irmã, estava no meio de uma de suas famosas palestras enquanto percorriam os municípios. Os guardas os cercavam, mantendo as pessoas comuns a uma distância segura.

“Lis”, disse ele com um suspiro, “pelo menos uma vez, poderíamos falar sobre qualquer coisa além da minha vida amorosa?”

“Ou a falta dela,” ela brincou. “Hoje é um grande dia, Gabriel. Você deveria estar animado.”

O rei estava prestes a retrucar com sua própria resposta ácida quando uma comoção à frente o distraiu.

“O que é aquilo?” Lis perguntou, franzindo a testa.

Os guardas se aproximaram, pedindo para que eles entrassem na carruagem. Mas agora, Gabriel também estava curioso. Enquanto ele abria caminho pela multidão, ele viu algo que fez seus olhos se arregalarem em choque.

Uma perseguição estava acontecendo no meio do bairro histórico. E não era uma perseguição comum. Um ladrão estava correndo pela feira a toda velocidade, enquanto as autoridades corriam atrás dele.

Mas lá em cima, uma jovem estava voando sim, voando!—usando algum tipo de poder elemental para impulsioná-la para o céu.

Gabriel ficou boquiaberto em descrença quando a garota ergueu a mão, conjurou uma bola de fogo e a disparou com todas as suas forças.

As chamas explodiram bem na frente do ladrão, criando uma parede de fogo e parando-o em seu caminho.

Ele parou e ergueu as mãos aterrorizado enquanto ela descia.

Agora, Gabriel podia ver que o fogo estava girando em seus olhos também. Eles eram os olhos mais bonitos e assustadores que ele já tinha visto.

“Largue isso”, ela disse, e o ladrão obedeceu, deixando cair sua bolsa de joias roubadas aos pés dela. A garota respirou e só percebeu que uma multidão enorme a observava quando terminou. Os olhos estavam por toda parte.

Incluindo os dele. Os olhos do rei.

Neste momento, seus olhares se encontraram.

LYDIA

Lydia nunca tinha feito tanto com seus poderes de Slifer antes em sua vida. Era como se outro espírito tivesse assumido o controle de seu corpo e ela tivesse apenas participado da jornada.

Mas agora não. Agora, ela era Lydia de novo. E olhando para ela, cercado por todo um batalhão de guardas reais, estava um homem alto, moreno e misterioso com a roupa mais decorada que Lydia já tinha visto.

Todos suspiraram e se curvaram ao vê-lo.

Ele tinha um queixo largo e um maxilar bem definido com maçãs do rosto salientes. Sua pele era pálida e sem defeitos. Seu nariz reto. Seus lábios rosados, carnudos. Seus olhos eram rígidos, penetrantes e de uma cor que Lydia nunca tinha visto antes. Eles eram do cinza das nuvens depois de uma tempestade.

Mas algo em sua aura era escuro e sombrio… o que só o tornava mais bonito. Na verdade, Lydia percebeu que ele era de longe o homem mais bonito que ela já vira.

Quando seus olhos se encontraram, foi como se o laço mais forte e magnético tivesse se encaixado. Parecia que o destino literalmente os uniu.

Mas quem era ele?

“Vossa Majestade,” uma voz familiar soou.

Ela se virou para ver Lucius correndo, sem fôlego. Ele acabou de dizer… Majestade?!

Lucius se virou para ela e, como se estivesse lendo sua mente, assentiu. “Lydia, permita-me apresentá-la ao Rei Gabriel.”

 

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